Em janeiro de 2025, um incidente no bairro Sion, em Belo Horizonte, chamou a atenção para a importância de cuidados adequados com a instalação elétrica em nossas casas. Um incêndio em um apartamento, no 12º andar de um prédio, foi causado por uma combinação de fatores relacionados à fiação antiga do prédio e ao uso de equipamentos de alta potência, neste caso, o ar-condicionado portátil. Segundo relatos do morador, o equipamento estava em um dos quartos e na parte da manhã ele notou que estava saindo uma fumaça da tomada, mas não deu tempo de tomar nenhuma providência. O fogo se alastrou rapidamente por toda corrente elétrica do apartamento, ocasionando o incêndio. Felizmente o local foi evacuado e não houve vítimas.
Fred Rocha, engenheiro da Rocha Vieira Construções, afirma que em prédios mais antigos, como no caso deste, que tem aproximadamente 40 anos, acontece que na maioria das vezes eles possuem instalações elétricas desatualizadas, com fiação rígida e disjuntores que não suportam a demanda dos aparelhos modernos. Quando equipamentos de alta potência, como micro-ondas, airfryers ou ar-condicionado, são ligados em instalações antigas, o risco de superaquecimento, curto-circuito e, infelizmente, incêndio, aumenta consideravelmente.
Além disso, a ausência de dispositivos de proteção adequados, como disjuntores DR ‘S e Protetores de Surto Tensão, também conhecidos como DPS, podem fazer toda a diferença na hora de evitar acidentes graves. Esses dispositivos ajudam a detectar fugas de corrente ou sobretensões, desligando a energia antes que algo mais sério aconteça.
O Fred que fez uma visita técnica à unidade para uma Análise de Engenharia Diagnóstica, explica que na época da construção deste empreendimento não se utilizava ar-condicionado, microondas ou airfryer e que a maioria das pessoas acha que a energia elétrica liga tudo que é possível… ou que se a ponta da tomada for de 20 amperes, basta comprar um adaptador e que isso resolverá o problema. Quem pensa assim, está enganado. As pessoas não compreendem que a fiação é dimensionada a partir da potência dos equipamentos. Ele esclarece ainda que se você tem uma tomada comum que é dimensionada para um circuito de 16 a 18 amperes, que corresponde a um fio de 2,5cm, que é o comum, mas para se ter uma ordem de grandeza, quando se tem uma tomada 220v para um chuveiro, por exemplo, que tem quase 6 mil watts de potência, esse equipamento eletrônico pede um fio de 6mm até 10mm e aí faz a pergunta: “Será que a fiação de 2,5cm irá suportar? A resposta é: não vai!”
Para melhor esclarecer: quando o equipamento está ligado na tomada, recebe uma onda de energia e, se ele estiver absorvendo mais do que está recebendo da rede elétrica, ele esquenta a fiação e se for o disjuntor preto (modelo antigo) este não tem a resistência necessária, por isso pode pegar fogo na fiação toda, incluindo o quadro de distribuição elétrica.
Hoje, a normatização sobre esse tema exige fiações flexíveis e disjuntores de proteção que é o DR (Dispositivo Diferencial Residual). Na prática, sabe como isso funciona? O disjuntor é programado para desarmar em caso de fuga de corrente, no caso de superaquecimento, então se você tem uma tomada protegida por um DR e aquela tomada tem um dispositivo residual, ela irá entender que está absorvendo mais do que recebendo e por isso, irá desarmar.
É fundamental que qualquer intervenção elétrica seja feita por profissionais qualificados. Se você mora em um imóvel antigo e usa aparelhos de alta potência, não hesite em procurar um. Eles podem avaliar suas instalações, realizar as adequações necessárias e garantir que tudo esteja dentro das normas de segurança. Investir na manutenção e atualização elétrica do seu imóvel é uma forma de proteger sua casa, seus bens e, principalmente, sua vida.
Link para a matéria com vídeo divulgada no portal G1: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2025/01/14/video-ar-condicionado-pega-fogo-e-incendio-atinge-12o-andar-de-predio-em-bh.ghtml